quarta-feira, 8 de junho de 2011

Esta não é uma história policial... , por Lili

Vinte de maio, dez e trinta da manhã, quinta feira. Leitores do Blog perdoem-me porque a crônica de hoje não será policial; escrevo sobre assuntos que parecem banais, mas que num olhar mais atento, são fundamentais.
 
   Estou há uma hora na sala de espera de uma clínica em Brasília para fazer exames de mulher, mas não estou enfairada. Está até agradável, decoração minimalista; ar-condicionado; tv tela plana com volume audível.  Ainda, as atendentes são elegantes  e simpáticas. Uma delas usava um rímel tão proeminente que o elogiei e perguntei a marca. Ela respondeu: - É o novo lançamento da Avon. Dona Nice da DP que me aguarde.

 Eu brigo com a programação da TV na tentativa de ler um livro que trago na bolsa: “O sol também se levanta", de Ernest Hemingway.
Quando fui pegar o que já era meu terceiro cafezinho, embaixo do retângulo mágico – felizmente ainda quente -, prestei atenção na entrevista do programa entretenimento - desses que passam de manhã e duram horas. Percebi um médico, entrevistado por uma moça bonita e falante.  Por que será que todos naquela grande sala de espera de se deleitavam com a entrevista do homem de jaleco branco? Atentei para o médico ensinando a utilizar bombinhas para quem sofre de bronquite.
 
Falando sério, o que importa como usar as tais bombinhas para quem não sofre desse mal?

Voltei para o meu lugar, olhei para um lado e avistei um mega revisteiro,  ocupando uma parede inteira.
  Apreciando as capas, percebi bocas e sorrisos estampados nas “Caras” e “Contigos”: todos ricos, bonitos, felizes e famosos. Será que são mesmo?
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Portinari

Deixei o livro  e  prestei atenção às chamadas: “Kate e Willian - Casamento Real”. Fiquei contente quando um amigo do Rio de Janeiro me disse que eu lembrava a princesa Kate, mas fico espantada  ao perceber que nossa imprensa dá uma atenção descomunal a esta união.
  Na capa da revista Contigo, o título diz assim “A Plebeia vai virar Princesa”. Será que é tão maravilhoso o dia-a-dia de uma princesa? Quando assisti ao premiado filme “A Rainha”, tive minhas dúvidas.
Portinari

Há outra capa dizendo que a “Ana Paula Arósio troca a fama pela vida no campo e está grávida”. Essa boa atriz, pelo que sei, sempre foi meio rabugentinha e gosta do campo. Mas foi bom saber que a moça que tem a minha idade está grávida.
  Mais uma capa: “Letícia Spiller apresenta Estela sua filha”. É claro que não podia  faltar a bela e talentosa “Gisele Bündchen com o marido Tom Brady”.
 
  A revista que costumo ler é Tpm, que não quer dizer tensão pré-menstrual, mas sim, Trip para mulheres, também curto a Vida Simples e a Bravo.
 
  Precisava desabafar... Não é de hoje que a Indústria Cultural no Brasil me causa estranheza. Necessitamos de cultura:  filmes, livros, viagens, bons restaurantes. Precisamos também ter versatilidade para alcançarmos essas coisinhas. As publicações poderiam trazer um pouco mais disso,  ao invés de nos fazer engolir padrões inatingíveis e montados.
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Portinari
É enfadonho que a maior parte dos programas da TV a cabo seja importada. Não assisto! Sou radical mesmo. Oprah Winfrey, David Letterman... Ainda bem que sobram  alguns programas nacionais no canal 41 Gnt e o grandioso Canal Brasil, 66.

  Por que somos bombardeados por notícias da vida íntima dos artistas? O que nos acrescenta? Por que  não carregamos nossos próprios livros e revistas para momentos de espera? Pensando bem, eles sempre aparecem do nada. Vamos continuar aceitando passivamente as caras e bocas das revistas, os programas enlatados e o médico ensinando a utilizar a bombinha?

Enquanto estava na clínica, coincidentemente, um colega de trabalho telefonou-me ao meio-dia, dizendo que estava numa sala de espera de médico otorrino, com o qual marcara às dez e trinta, todavia, já passava do meio dia, e não  havia sido atendido. Perguntei-lhe se tinha levado algo para ajudar a passar o tempo. Respondeu que “não”.
Penso que adultos que somos, com tantos compromissos que a ideologia do capitalismo nos sujeita, precisamos ficar atentos para não nos transformarmos em marionetes do mercado de consumo:

Precisamos fabricar nosso tempo!
  Sempre carrego a tiracolo uma boa leitura - desde a fila do mercado, até a beira da piscina - quando não há bebida e amigos para uma boa conversa - é claro. 
 Qualquer tempo que sobra é tempo bom, tempo útil.

8 comentários:

  1. Parabéns Lilian! O blog esta ótimo, gostei muito das suas historias e as da Paty, continue assim sucesso!

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  2. Obrigada pelas palavras. Elas incentivam.

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  3. Lili
    gostei o blog ficou otimo
    Parabens e sucesso
    Francis

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  4. PARABÉNS PELO ARTIGO.
    TENHO ORGULHO DE SER MULHER, PQ TBEM PODEMOS!!!!!!

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  5. eu tb sempreeee carrego alguma coisa para ler, mas no meu caso é sempre um livro pra concurso, afinal o tempo é precioso

    ;)

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  6. Pois é Regina, até uma ano atrás eu tb carregava os livros de concurso porque almejava passar para Delegada. Mas resolvi dar un tempo, iniciei esse Blog e sempre que me dá vontade de estudar fico quieta no meu canto e deixo a vontade passar.... é que curto ser agente mesmo....

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  7. Vitor, obrigada pelo incentivo, assim eu e Paty ficamos animadas a escrever mais, afinal hj domingão eu poderia estar no parque, na piscina e estou aqui teclando hehehehe... mas eu gosto

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  8. Valentina, de fato somos mulheres que fazemos e escrevemos Um abraço!

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