quinta-feira, 23 de junho de 2011

O CONCURSO PÚBLICO PARA A POLÍCIA (Parte 1), por Lili


Quando iniciei a postagem sobre a odisseia que foi a minha aprovação no concurso público para o cargo de Agente da Polícia do Distrito Federal, me dei conta de que o relato ficou bem extenso; por isso será postado em partes.




Formatura na Faculdade de Direito no Rio de Janeiro. Passado o entusiasmo da festa, eu conjecturava com certo sofrimento, próprio das escolhas importantes:

E agora? O que fazer da vida?

Meu namorado mudara-se para os EUA, e eu, na conturbação própria da juventude, o visitei diversas vezes lá. Ainda não vislumbrava boas perspectivas profissionais em nosso país, sendo que morar no estrangeiro me parecia uma opção desafiadora. Será?

Até que numa tarde, um amigo telefonou-me perguntando o que iria fazer depois de formada, uma vez que já estava munida com a carteira da OAB. Respondi que não sabia. Ele alertou-me de que havia um concurso para a Polícia Federal, cujas inscrições teriam sido prorrogadas.

Na minha família há tradição em seguir a carreira pública, motivo pelo qual eu, em minha idealização de vanguarda, acreditava que faria diferente. Acreditava no chavão: “Ser funcionário publico é chato e as tarefa são repetitivas”.   


      Ainda, estava convicta de que ser aprovada em concurso em um país que andava em crise há um bom tempo, ensejando escassez de oportunidades em várias áreas, não seria tarefa fácil e blá blá blá ...

Felizmente larguei minhas inferências negativas para lado e decidi seguir a dica do colega. Faltavam três meses para a prova. Eu morava na Barra da Tijuca e sabia que os melhores cursinhos estavam no centro da cidade. Entretanto, concluí que seria um desperdício de tempo tal deslocamento.

Acreditava plenamente que em três meses poderia preparar-me e passar naquele certame. Foi uma conflagração movida pela esperança de que, sim, há nesse país, que tanto admiro e me sinto plenamente integrada, boas possibilidades de colocação no mercado de trabalho. Além do que, ser uma Policial Federal parecia-me bem atraente.

Encontrei num anúncio do jornal um curso em Ipanema, preparatório exatamente para o concurso que pretendia. Matriculei-me. Primeiro dia de aula, havia poucos alunos, uns trinta. O local ainda andava bem desorganizado porque o curso era novo. Eu, para aplacar esse déficit, estudava em casa, totalizando uma média de sete a dez horas por dia.

 Namoro, carnaval, cinema ou praia? Nada disso! Apenas o exercício físico permaneceu. Emagreci de um tanto, que já em Brasília, quando me vi no espelho do provador da loja Elle et Lui,   tomei um baita susto.

 O concurso era para Agente e Delegado da Polícia Federal. Para meu desalento constava no edital algumas matérias diversas de direito, tais quais: administração, raciocínio lógico, contabilidade... Isso me embaraçava, uma vez que nunca tivera contato com elas, demandando dedicação e gastando meu precioso tempo.

Tive a ousadia de me inscrever para os dois cargos oferecidos. A prova para Delegado foi um dia antes da de Agente, o que me fez sentir um tanto esgotada para a segunda.

No dia da prova tomei um táxi – num dia importante como esse, é melhor evitar preocupações com trânsito e estacionamento. Colégio no subúrbio, um tropel descendo em direção ao certame. Ufa! Achei minha sala, sentei numa cadeirinha apertada, o dia estava quente. A prova para Delegado parecia um dragão a ser abatido. O raciocínio devia ser rápido, o tempo urgia e ainda,  uma questão errada anulava outra certa. Prova pronta! Alívio. Ônibus de volta para casa.

Lili
 
Glossário:

odisseia  Viagem cheia de aventuras e peripécias.2. Série de acontecimentos anormais e variados.

conjecturar -julgar, depreender por conjecturas!conjeturas.2. Presumir.3. Prever.

 Conjugar vanguarda - (francês avant-garde) 3. Agente, grupo ou movimento intelectual, artístico ou político que está ou procura estar à frente do seu tempo, relativamente a ações!ações, ideias ou experiências. s. f.1. Primeira linha de um exército, de uma esquadra, etc., em ordem de batalha ou de marcha. ≠ retaguarda2. Parte da frente. = dianteira, frente
 
tropel s. m.1. Multidão de gente que corre em tumulto.2. Ruído do andar ou do correr de muita gente ou de animais.3. Fig. Confusão.4. Grande quantidade, grande número; montão, acervo.CAMUS








Nenhum comentário:

Postar um comentário