quarta-feira, 27 de julho de 2011

Virei Policial, por Lili


Já aprovada no concurso que me transformaria em Agente de Polícia, caminhava no centro do Rio de Janeiro e levei um baita susto ao  ouvir estampidos... Eram disparos de arma de fogo.

Avistei dois policias perseguindo um assaltante e mais disparos.

Corri para lado oposto. Mas me deu na veneta parar para refletir: “Agora corro do assalto, daqui alguns meses correrei para o assalto.”  

“Eu, euzinha? Isso mesmo, você Lili.”
 
Cresci em cidade pequena, ia a pé para escola e bolava traquinagens com as primas. Uma infância sem malícia, sem contato com o crime.
  

Compreendi que em breve não daria mais encarar a criminalidade com olhar blasé.

 
 Academia de Polícia da Polícia Civil - uma uma miscelânea de novidades: pistola na cintura, os primeiros tiros ao alvo; simulação de entrada; tiros de dentro de viatura; curso de defesa pessoal; técnicas de revista em suspeitos; como utilizar uma algema, etc.

 Ufa! Canseira?

Nada disso. Adrenalina.

 O treinamento foi exaustivo e, se vacilasse, pagava-se 30 flexões.

Já lotada em uma DP da cidade, realizei as primeiras campanas (ficar disfarçado num local onde é provável que ocorra um crime) na companhia dos policiais “antigões” e tudo pareceu mais simples. Logo na primeira, obtivemos êxito em prender em flagrante os assaltantes armados que estavam no interior de uma van. Houve tiros, mas ninguém se se feriu.


Hoje percebo que, quando estamos em equipe, a força e coragem se multiplicam. Naquela noite, pareceu uma tarefa normal realizarmos o flagrante e libertarmos as vítimas.
 
Olha como são as coisas, o receio que me possuiu naquele final de tarde nas ruas do Rio, nem de longe aparece no dia-a-dia da profissão. Acredito que a rotina nos concede cara, estilo e voz de comando policial.
 

Minha atuação tem sido gradual: seção de investigação de crimes de médio potencial ofensivo e plantão de 24h em cidade considerada tranquila; atuação em seção de crimes considerados de menor potencial ofensivo em cidade de criminalidade alta e, atualmente, seção de investigação de crimes violentos em cidade de altíssima criminalidade.

 E, tudo tem sido normal, como passar batom. Descobri que o meio faz “a-gente”.
 



                           Por Lili
Palavras esquisitas:

blasé:   (palavra francesa) adj. Que ou quem demonstra apatia, indiferença ou tédio em relação àquilo que o rodeia.
miscelânea: s. f.1. Obra composta de escritos sobre diversos assuntos.2. Fig. Confusão.
 


5 comentários:

  1. Muito legal Lilian!! Adorei seu blog!!!

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  2. Que bom que gostou o Blog. Apareça sempre!!!

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  3. Lili,
    MUITO, MUITO, MUITO BOM!!!
    Ta bom vai, eu diria fantàstico esse relato.
    Agora me diz uma coisa, vc ja tinha atirado antes ou sua primeira vez foi na academia?
    Eu sou louca p entrar na policia, entao nao repara o excesso de empolgação, ok?
    bjos

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  4. Oi Regina, a primeira vez foi na academia. O interessante é que primeiro os instrutores ensinam vc a desmontar a pistola... aí passa o receio.. A sua empolgação só me faz é animar para escrever outras passagens.
    Bjo e até Breve!

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  5. a única vez que atirei foi quando eu tinha 8 anos, meu pai deixou eu atirar no 38 dele, de lá pra cá ainda nao consegui atirar novamente.

    Estava pensando em entrar em um curso, tanto de tiro, como de defesa pessoal, antes de entrar na ANP e depois que passar nas fases do concurso, o que vc acha?

    é válido? ou melhor aprender tudo lá mesmo?

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