terça-feira, 16 de agosto de 2011

QUEM SALVA A POLÍCIA? por Paty



               Definitivamente, os bombeiros. O policial é preparado para lidar com o crime e seus autores. As pessoas são ilimitadas em suas pretensões para o mal feito e os bandidos, gradativamente, se superam inovando nos golpes e nas formas de conseguir dinheiro fácil.
 Não se privam da sagacidade e do engano, como exemplo o tão já manjado golpe do sequestro ou do bilhete premiado. Outros vão além, quando fazendo uso da covardia, impõem o medo pela posse de uma arma, momentos que se acham bastante valentes e aterrorizam a vítima pela possibilidade da perda repentina da vida. Sempre buscando ações rentáveis e menos arriscadas, elegeram o crime do momento: o furto aos caixas eletrônicos, situação que o ladrão, debochando do limite rosinha de percurso, já consegue faxinar o dinheiro marcado.


Para esse tipo de gente: a algema, a lei e a pena – isso considerando um sistema de leis penais que fosse ideal, o que não é o caso do Brasil.


E as outras pessoas que costumam frequentar o balcão e os bancos da delegacia? Sim! Aqueles um tanto desligados da realidade que em nosso íntimo, percebemos serem os malucos que também protagonizam seu papel na rotina de uma DP.


Há alguns anos, dos quais sinto muita saudade, eu saíra da delegacia para almoçar e deixara o ambiente tranquilo e calmo. Naturalmente, não é de se surpreender que em minutos, tudo pode ficar agitado e foi isso que ocorreu. Quando retornei, tava lá o rapaz...


A equipe da polícia militar havia conduzido um homem, que coberto de sangue, com a boca torta, tentava balbuciar ao ritmo de bêbado, qualquer coisa que não se conseguia compreender... Soubemos então que ele havia caído da própria altura de rosto no chão, ferindo a boca e provavelmente, pelo estado que se encontrava descontrolado, fraturado o maxilar. Sorte dele, que estava bêbado... E que bebida! Pois parecia ignorar a dor e agitadíssimo, gritava horrores, cuspia e pintava de sangue o banquinho dos réus...


O banquinho dos réus estava posicionado junto a uma parede, onde chumbada, havia uma barra de ferro que utilizávamos para algemar e limitar a mobilidade dos autores e suspeitos, enquanto se faziam algumas verificações. Eventualmente, pessoas descontroladas e que sangravam muito, comprometendo nossa segurança e saúde, também eram ali mantidas e ele estava lá.


A parede, o banco, o chão e até – não disse que eles se superam, até o teto, ele havia conseguido atingir, cuspindo sangue. O que fazer numa situação daquelas? Não havia técnica para o manuseio do ferido, nem medicação calmante, não fazia parte do nosso trabalho a habilidade em socorro médico... Então recorremos a eles.


O rádio já havia sido acionado e a equipe do bombeiro já estava a caminho. Nesse intervalo de tempo, minutos, mas que devido à situação parecia uma infinidade, o sujeito gritava, urrava e dá-lhe sangue. Dentro da própria delegacia há também os curiosos, que surgem um a um, borbulhando do expediente. Ao ouvirem o agito no balcão – onde funciona o plantão, vão se aproximando, trazendo alternativas, mas sem voluntários para a ação:



- Amordaça ele!


- Que coisa!


E não podiam faltar as perguntinhas clássicas: 


 - O que está acontecendo? Tá envolvido em que? O que é isso ai?


E numa dessas, o fato chamou também a atenção de uma das delegadas, que cercada de assessores, foi até o local onde o homem dava trabalho...


- Solta ele agora! Determinou a delegada, ninguém menos que a chefe da delegacia e encheu a equipe de perguntas, cujas respostas eram dadas numa sequência de sins: Já chamamos... Já vem... Está chegando... Já tentamos...


Diante da ordem expressa de soltar o sujeito, meu colega resistiu:


- Ele está sem controle, ponderou receoso de que a ideia fosse mantida...


- Coitado! Solta ele agora gente, o homem tá machucado!


Quando os candidatos a banho de sangue se aproximaram, o homem, ignorando de quem se tratava, dirigiu-se à delegada com os olhos esbugalhados, o peitoral encharcado de sangue e gritou as únicas coisas que consegui compreender, mas por questões óbvias, serão justo essas que não vou descrever, enfim: chamou-a pelos clássicos palavrões disponíveis que conhecia e que sua mente alcoolizada o fazia lembrar...


- Prende! Prende! Prende! Foi a mudança de opinião mais rápida e certeira que presenciei. Saiu então sem gracinha... Não importa, não era culpa dela. Naquela situação a linguagem policial não adiantaria, somente a dos bombeiros.


Eles chegaram se aproximaram e o homem entendendo que seria socorrido, colaborou. Sua boca foi enfaixada e o silêncio dominou, conversavam entre si sobre a situação e para onde o levariam. Na maca, o sujeito deitou-se e foi levado para o Hospital de Base, provavelmente.  A nós, restou a sangueira.


Outros casinhos também nos fizeram lembrar o quão importante são os nossos colegas... Quando os bebezinhos afoitos, já mostravam desobediência e antecipavam sua chegada fora do ambiente propício do hospital, ainda na delegacia.








E nos momentos que os malucos achavam que suas atitudes mal feitas poderiam ser revistas se batessem com a cabeça na parede e se ferissem ou se gritassem e perturbassem bastante. Lá estavam eles, pacientes e compenetrados, ouvindo o doido que quase por milagre, na frente deles se comportavam...


Esses dias presenciamos a situação de nossos colegas bombeiros do Rio de Janeiro, onde com um salário simbólico, cumprem suas funções salvando vidas. São na verdade heróis, porque mantêm suas famílias com um inacreditável soldo.


Foram as ruas para serem ouvidos e sofreram punição por não mais se conformarem com uma situação insustentável. O duro foi ainda o governador do Estado, Sérgio Cabral, referir-se aos bombeiros com termos pejorativos.


Posterior ao caso dos bombeiros, foi noticiada na imprensa a intenção de um deputado federal, originário do Rio de Janeiro, que preocupado com a situação dos banqueiros falidos, estava muito interessado em levar adiante uma Medida Provisória, cujo teor obrigará o Estado a comprar desses banqueiros títulos podres com valores superfaturados, levando-os de falidos a milionários...


No momento que li essa notícia, pensei que aquilo era fábula e acordei no Brasil, onde essas coisas são possíveis. Deparei-me com o foco de nossa sociedade – a massa que grita, vibra pelo futebol, pelo Gaúcho que é Mengo, que corta os pulsos se o seu time perde e se deixa ficar passivo numa situação dessas e outras mais...


Logo depois de tratar com desrespeito a situação dos bombeiros, o governo do Rio ofereceu uma proposta medíocre - 48% - cujo ápice, foi o tal aumento dividido em inacreditáveis 48 parcelas... Tão inacreditável como a intenção do deputado em tornar milionários,  com o dinheiro público, banqueiros falidos.


Em seguida ao embate com a corporação dos bombeiros, o governador do Rio mergulhou em sua fragilidade pessoal: escândalos em torno de favorecimentos a empresas de amigos, acidente com a morte de pessoa que lhe era próxima e quase ele próprio iria precisar ser resgatado pelos bombeiros da Bahia...


E os bombeiros? Quem salva os bombeiros?


               Não sei. Fato é que num país sugado pela corrupção, é provável que os bombeiros continuem no vermelho.


Paty

14 comentários:

  1. nunca pensei que acontecesse tanta coisa em uma delegacia.
    Rotina nem pensar, né?
    No meu trabalho tb é assim, cada dia uma novidade.
    qto aos bombeiros, realmente uma vergonha, fora outras profissões essenciais como professor, em que ninguém fica sem passar por ele, no entanto ganha uma miséria
    bjos pra vcs

    ResponderExcluir
  2. Regina,

    Na delegacia ocorre muita situação inusitada, bj! Paty.

    ResponderExcluir
  3. Paty, seu texto está perfeito, maravilhoso! Só não concordo contigo que esta 'contradição' do Governador do Rio possa ser comparada a uma fábula - é um pesadelo, um filme de terror, daqueles que deveriam nos fazer gritar em pânico - ou de vergonha... bjs

    ResponderExcluir
  4. Paty, fiquei sabendo que PATRÌCIA é sinônimo de patroa + policia é verdade?
    rsrs

    ResponderExcluir
  5. Fala Fernanda Suhet!

    E não é que você tem razão? realmente a situação é compatível com um pesadelo. Valeu a dica, bjs, Paty.

    ResponderExcluir
  6. Oi Regina!

    Não sou patroa não menina, só polícia e sou é patriota ligada à pátria, mas se o Brasil continuar do jeito que tá eu vou desertar...kkkkk.
    Essa é a origem do meu nome, bj! Paty.

    ResponderExcluir
  7. Oi Paty!

    Bêbado, sangue, palavrões...

    Cadê o glamour da atividade policial?!
    kkkkkkk

    Chama o Bope!
    ; )

    Beijo, lindona!

    ResponderExcluir
  8. Mulher na Polícia - seu blog é ótimo... adorei parabéns!

    Quanto ao glamour? a gente passa por tudo isso, mas a unha tá feita, o uniforme tá limpo e o cabelo impecável... quer mais?!
    kkkkk...
    Beijo!

    ResponderExcluir
  9. olá meninas,

    gostaria de fazer um convite a vocês duas.

    Mês que vem vou a Brasília, o Vitão vai me levar num stand de tiro para atirar, ver as coisas e tal, e gostaria que vocês também fossem, já que vcs são de lá mesmo...

    o que acham?

    diz que sim, vai, nao sejam más, siiiiimmmm????

    ResponderExcluir
  10. Regina, eu gostaria sim de conhecê-los, vai nos informando direitinho a data. Vai ficar quantos dias? Bjo Lili

    ResponderExcluir
  11. geralmente quando eu vou, fico o final de semana.

    olha uma data boa aí para vocês, porque para mim e pro vitão tanto faz, qualquer dia é dia

    ResponderExcluir
  12. Assino embaixo ai. O que a Reginex falar, tá falado!

    ResponderExcluir
  13. é, depois a gente pode ir para algum lugar, fazer alguma coisa tb, sei lá, vcs que sao daí que sabem mais que eu

    ;P

    mas uma coisa é certa, vcs vao ter que me contar tudo sobre a polícia hein?!

    rsrs

    brincadeira, prometo nao encher a cabeça de vcs com tantas perguntas, só algumas

    ahauhuahauhauuahaua

    ResponderExcluir