quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

QUESTÃO DE CONCEITO


Olá leitores!
Novidade por aqui:
O Dr. Miguel Lucena - Delegado, Jornalista e um tremendo Poeta - , presenteou o blog da policial com a crônica de sua autoria que segue abaixo:


QUESTÃO DE CONCEITO
Miguel Lucena – Delegado da PCDF e Jornalista

Liberalino, o Bedeu, saiu de Viçosa do Ceará ainda adolescente e veio morar em Brasília, na esperança de dias melhores.

Brasília é uma cidade que oferece grandes oportunidades, mas só para quem já acumulou conhecimentos ou prestígio político.  Aqui, o apartheid é visível: pobre e semi-analfabeto só conseguem emprego de terceira; analfabeto, nem se fala.

Depois de morar de favor em casa de parentes no entorno do Distrito Federal, Bedeu foi se parar na Invasão do Itapoã, hoje uma região administrativa encravada no quintal da cidade do Paranoá, onde conheceu Eliane, uma maranhense das  canelas grossas e peitos fartos.

 O relacionamento, completados 10 anos, começou a entrar em crise. Desiludido e cansado de tantas batalhas, Bedeu passou a beber um dia sim e outro também.
Ontem, no ponto de ônibus, Eliane e Bedeu – ela indo trabalhar numa casa de família e ele ajudar num boteco de ponta de rua, perto da rodoviária – começaram um bate-boca e a confusão foi parar na Delegacia da área.

- O senhor está preso em flagrante, porque chamou a sua companheira de afolosada e rapariga dos peitos moles – explicou a delegada de plantão.

- Quem mandou ela me chamar de ´bebo´? – retrucou Bedeu.
Há quem ainda aposte em reconciliação, na audiência judicial marcada para os próximos dias.

7 comentários:

  1. eu tava lá. eu vi tudo. melhor eu registrei tudo. e digo: eles se amam...

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  2. Francisco de Araujo15 de dezembro de 2011 16:42

    "é divertido e que remete a temas interioranos, que é verdade em parte...." adorei continue criando dr.

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  3. Oi Lara, que bom saber que você voi a escrivã do caso. Risos

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  4. Só um bom observador da vida conseguiria reunir com humor aspéctos da saga de tantos moradores de nossa comunidade. Não são poucos os que acabam parando na Delegacia - não é mesmo? Abarrotando as mesas da seção da mulher. Assim, na frente da Delegada, quem sabe não seria o momento do marido refletir sobre o “conceito” que faz da mulher e vice-versa.
    Valeu pela participação. Volte sempre! Abraço Lili

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  5. Muito bom, um singelo retrato de um grave problema social. Essa história se repete muito na "santinha", infelizmente.

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  6. Kkkkkk, é colegas eu que chefiei SAM por 6 anos e Seção de Orientação Psicol. da DEAM escreveria um livro, as histórias, das mais tristes às engraçadas, qualquer dia conto por aqui....Abraços! Giordana

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  7. Hoje, almoçando com a Lara, vim saber que o fato foi verídico mesmo.

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