terça-feira, 4 de junho de 2013

"Tenho orgulho de ser Policial!”, por Lili e Maria Auxiliadora Malagoni



Os colegas policiais, nos últimos tempos, me contam uma enormidade de fatos que até parecem pintados com tintas sombrias:

- A Polícia deveria estar melhor estruturada.

- Viaturas sucateadas.

- Plantões magros.

Sim, claro, somos junto com Polícia Militar o coração da Segurança Pública.

 “O plantão deve estar fortalecido”, digo isso com experiência de quatro anos no 24 x 72 horas.



Vale lembrar de que as prisões realizadas por nós e também pela Polícia Militar, somadas com a divulgação pela imprensa criam a sensação receio/medo nos candidatos a criminosos. 

Esse é o caráter preventivo da repressão policial.

Para que o cidadão que ainda é candidato a bandido desanime desse mister, a Polícia deve mostrar sua força com equipamentos à altura. Pois quando o bandido se sentir mais forte, a coisa pode se complicar.

Mas como estava dizendo as reclamações vem de cá e de lá, talvez porque seja uma boa ouvinte...

E esta que segue é a máxima:

- Prendemos, no entanto o Poder Judiciário solta.

Já fiquei sabendo de uma investigação de mais ano, que culminou na prisão de quadrilha, mas o Poder Judiciário concedeu a soltura dos presos logo depois.

Com isso: Policiais desmotivados e criminosos exitosos!

Outra: 

- Menores não são punidos com severidade! 

E assim, eles puxam o gatilho, como nós compramos pão. Isso mesmo! Pode banalizar. Foi essa a impressão que os delinquentes juvenis me passaram quando atuei em satélite de alta criminalidade.

E, para coroar a desdita, essa reclamação escuto todos os dias e merece ser debatida:

A estruturação de nossa carreira que não vem.




Há outras. Sim claro que há. E todas merecem ser debatidas e divulgadas...

Vejam só, numa tarde de intimação debaixo de sol, meu colega de trabalho, o Gabriel, mostrou-me que as paredes externas do Departamento de Polícia Especializada estavam  com a pintura bem ruim. Felizmente, dia desses, percebi que área externa das especializadas estavam sendo pintadas. (Ufa!)







TODA ESSA FALA JUDIA MUITO...

Mas, na verdade, eu só lembrei de tudo isso porque me surpreendeu uma postagem, com ar acalentador, da colega policial Maria Auxiliadora Malagoni, no Facebook. Suas palavras fizeram lembrar que sim

VALE A PENA SER POLICIAL!


Pedi seu texto emprestado, ela concordou em publicar no BLOG e segue:

" Hoje faz 7 anos que entrei para a Polícia Civil do Distrito Federal... Mudei-me de Goiânia, fiz novos amigos. Trabalhei muito, várias madrugadas "viradas". Muitos feriados e finais de semana sacrificados, mas sempre com certeza de estar fazendo bem para a sociedade. Esta é a recompensa para um Policial. Cada vez que conseguimos tirar das ruas um ladrão, um traficante, um pedófilo.. é uma sensação muito gratificante.  Tenho orgulho de ser policial, emobrece-me a alta missão!"

Maria, Parabéns pelos sete anos prestados à Policia Civil do Distrito Federal! Tenho certeza que você tem sido uma excelente Policial, mãe, mulher, e o que mais aparecer em seu caminho.



Por Lili e Maria Auxiliadora


terça-feira, 19 de março de 2013

Moda na Delegacia, por Lili


Depois de um longo tempo sem dar as caras no Blog, vou falar sobre a moda na Polícia. Isso mesmo! O mundo fashion dos corredores de uma Delegacia.

A história nos mostra que o homem predomina por aqui, nós, as policiais femininas,  precisamos quebrar estereótipos, provar que somos capazes, deixar um pouco da delicadeza, do romantismo em casa e provarmos a nós mesmas, ao delinquente, a nossa mãe e ao nosso chefe que somos capazes.  Mas, para isso, não precisamos nos masculinizar por completo. Dá sim para ser mulher, se vestir como tal e apresentar um bom trabalho na Polícia.


-  Que estilo cai melhor para a policial civil nas ruas e nos corredores da DP?


O tema veio à tona, principalmente porque estou assistindo ao Esquadrão da Moda (aos sábados no SBT e no Discovery H&H, 55 da net). No programa pipocam ideias de visuais adequados a cada situação. A participante escolhida se vê numa saia justa (ela foi indicada por amigos ou familiares para estar lá). Há uma transformação em seu visual proporcionada por alguns mils reais para gastar em roupas, contando a consultoria do casal apresentador do programa. As produções seguem o estilo formal/chique/clássico e fazem toda a diferença.


Mas como a policial feminina iria usar tais estilos?
Na polícia civil não há farda, como tantos me perguntam quando sabem da minha profissão.

Antes de discutir o que causa boa impressão no nosso ambiente, vale lembrar de um boato que surgiu em umas das DPs pela qual já passei. A rádio corredor espalhava que a Delegada-chefe proibira calça justa para as policiais civis na Delegacia.

- Ditadura da calça folgada?  

 Um dia de sol, no famigerado café – que, aliás, faz parte do serviço público, no sentido de que é, sim, nosso único ponto de interação entre os colegas e, porque não dizer, o momento de turbinar nosso ânimo por meio da cafeína - uma Policial, mostrando todo seu rancor insensato, pôs em xeque a moda das meninas na Delegacia:  

- Aqui na Delegacia a mulherada só usa “calça de feira”, disse em alto e bom tom e foi saindo....

 Bom seria se me servissem essas calças, com 1,77m, geralmente as calças vendidas na feira ficam um pouco curtas e blá-blá-blá. 
Blá-blá-blá não, o comentário da colega foi errante, sabemos da estagnada situação salarial de nossa instituição, não seria inteligente de nossa parte gastar muito com marcas famosas, porque,  afinal de contas, talvez, não sobre para  aquela viagem, ir naquele restaurante, ou para a educação dos filhos. Alguém já reparou nisso?

Que tipo de roupa nos cairia bem...




Para a Delegada de Polícia, acredito que há um facilitador, porque é praxe aderir a terninhos e saltos – o visual mais clássico - e se ela for mais operacional, ou para aqueles dias nos quais sabe que estará nas ruas, poderá contar com as peças caracterizadas da PCDF.

Mas, e para nós, as agentes?

Precisamos encarar com madureza. Terninho completo fica complicado, não tanto por causa do calor, quanto por estarmos invadindo o espaço fashion das Delegadas. Além do que, o serviço de rua pede um visual mais despojado.

 Evitando todo moralismo pseudo esclarecedor, não será por isso que nos restará apenas as calças justas, as cinturas baixas e as botinas (sejam da feira ou de marcas caras), podem ficar inadequadas para o serviço policial. 


Dito isto, recorri a um dos meus seriados policiais favoritos - Dexter - para conferir como a Debra Morgan (investigadora da seção de homicídios), irmã do malvado/herói se veste no ofício. E, pasmem: Só terninhos.
Essa atriz é bem magrinha e, levando em conta que na polícia investigativa dos EUA “os” agentes também usam ternos, além de o clima favorecer blêiseres; não foi no famoso seriado que encontrei a nossa resposta.

Um bom estilo de se vestir no ambiente de trabalho não será radical. Cada tipo físico favorece um trajar. Uma roupa que numa moça magra se adequa perfeitamente, sem mudar o foco do Inquérito para si própria; em outra, mais voluptuosa, pode ficar inadequada.

Talvez, a resposta, cada uma de nós encontre e, para ajudar, garimpei algumas dicas:

Calças “e” blusas justíssimas não ficam legais no trabalho (principalmente as duas peças juntas).

A próxima dica vem de uma noite chuvosa, quando assistia a um programa do Esquadrão no qual uma aspirante a assessora jurídica nos EUA, trajando  apertadas e fendadas roupas, faz uma verdadeira romaria de errâncias nos escritórios de advocacia, nos quais tinha interesse em trabalhar. Não conseguiu trabalho! Mas sim, cartões de visitas com convites para almoços e jantares. Após mudar freneticamente o estilo, a participante tornou-se Assessora Jurídica, entrou para a universidade de Direito no país dela. Ah, e também se casou.

Outras dicas:

As calças de alfaiataria e as jeans corte reto (de preferência escura e sem muita lavagem) não são chamativas e imprimem um ar de respeito. 

Talvez, como me opinou uma agente aqui da DP, essas calças fiquem "demais" para quem está numa  C
circunscricional de criminalidade alta. Afinal, é bem possível que precisemos pular um muro e há lugares, nos quais uma intimação casual pode, sim, se complicar. Na opinião dela calça jeans e camisa são curingas e o que faz diferença mesmo é a parte de cima.

Camisas também são interessantes para o trabalho, alertando para as que possuem ombros largos, não será uma boa ideia usá-la em cores claras e com mangas fofas. Lembrando a quem for se aventurar num blaser, aquele que tiver a lapela fina, diminui a largura do tórax. A parte superior dos bolsos devem estar na altura do osso do quadril.

Também vale lembrar que logo que entrei na polícia, estava na porta da  minha sala, usando um brinco de uns oito centímetros, quando uma colega  mais antiga passou, reparou e disse:

- Guarde esses brincos para uma festa, você poderá, numa luta corporal ter sua orelha rasgada.

Naquele dia pensei, quando que euzinha irei me engalfinhar com um meliante? Sim, na época em que tirei plantões, já me engalfinhei com um que não queria ser preso de jeito nenhum, mesmo estando em flagrante e felizmente, naquele dia, não estava de brincão.

 Então a dica é brincos pequenos para o dia a dia policial.

 Convém lembrar da Bolsa. Aprendi que vale a penas investir em uma boa e não em várias mais simples.

Algumas das peças que não podem faltar para a mulher elegante,  fora do ambiente de trabalho, no nosso caso:

Saia Lápis;

Um cardigan;

Um vestido bom que sirva para várias ocasiões. Para isso é importante que não seja nem muito curto, nem muito decotado e de tecido nobre. O modelo envelope é uma boa opção.

Pessoal, essa conversa foi sobre o nosso traje do dia a dia, é claro que em dias de operação ou operacionais estaremos caracterizadíssimas e com todos os apetrechos necessários, conforme algumas dicas na matéria TOAP – Treinamento Policial, aqui no blog.

É por isso que a vida é boa: ela recicla, muda e nos faz experimentar outros looks.

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Lili